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sexta-feira, 10 de julho de 2009

A Gigante


Na verdade se formos mais longe nas razões que culminaram naquela paixão repentina descobriremos o primeiro motivo: o filme emprestado por Lucinha, sua vizinha. Um curta-metragem com raríssimos diálogos, cuja narrativa versava sobre o amor de uma mulher e uma gigante. A mulher dedicava todas as horas vagas de sua vida a ornamentar um imenso jardim para ofertá-lo à incomensurável amada. O curta terminava com a declaração de amor da mulher e o olhar apaixonado da gigante.


O que impressionou a pequena Kikinha foi a impossibilidade de vida sexual entre elas. “Simplesmente soberbo, ou melhor, superbíssimo” concluiu rindo.


Olhou na contracapa do DVD e conferiu o preço: $ 12,99. Lucinha não venderia, o jeito era fazer uma cópia. Nesse ínterim reviu inúmeras vezes a cena final. Em seguida foi para a casa da amiga e vizinha. Entrou pela garagem e assistiu a cena. O aparelho de som no último volume. Lucinha que era casada com o Zé, de mãos dadas com aquela mulher...gigante!


Kikinha e Lucinha passavam pouco de 1,50 m. A mulher em questão que respondia pelo nome de Kassandra era um portento. Devia ter 1,80 m ou mais e estava comprovadamente acima do peso corporal ideal. Oh...mas, que delicadeza, que sorriso, que olhos pequenos e vivazes e sobretudo que mãos. “Que manzorras” pensou Kikinha.


Ficou enfeitiçada. Não tinha palavras para descrever a mistura de sensações que aquele mulherão lhe causava. Todavia era obrigada, da janela de sua casa, a testemunhar quase todas as noites a chegada de Kassandra, assim que o marido da outra saia para o trabalho.


Em uma dessas noites foi surpreendida pela visita da gentil Kassandra. Estava mais apaixonante que nunca. Contou como era desastrada na infância. Também falou do seu amor por doces.  


“Vou encher você de guloseimas, Sugarbaby” cogitou intimamente Kikinha com o coração aos saltos.


As visitas continuaram e Kikinha sonhava com o dia em que sua gigante a pegaria no colo. Quando e como aconteceria? Em sua fantasia as duas brigavam. Ela dormiria no sofá. De lá gritava com sua amante: “Durma sozinha nessa cama king size”. Então Kassandra, num ímpeto, arrancava-a daquele sofá com seus brações. Era a parte em que dizia: “Vem pra nossa cama, amorzinho”.


Kikinha ria das próprias fantasias e ao mesmo tempo lamentava: “Lucinha é minha amiga. Não devo pensar nessas coisas”.


Entretanto numa das visitas de Kassandra houve uma revelação. Ela comentou:


-Estou felicíssima. Finalmente me entendi com o Zé, meu cunhado.


-Cunhado? Perguntou Kikinha admirada.


-Sim. Eu e a Lucinha somos irmãs. Ela te disse no dia em que nos conhecemos.


-Não ouvi. – afirmou Kikinha sorrindo por dentro – O som estava muito alto.


Dali por diante eram somente as duas. Que alívio!


Conversaram por horas. Kikinha descobriu que o aniversário de Kassandra estava próximo:


-Farei o bolo!


A gigante se emocionou:


-Puxa, vida!Nunca fizeram um bolo pra mim!


Kikinha que não era boba nem nada emendou:


-Nenhuma da suas ex-namoradas?


-Nenhuma – confirmou Kassandra.


Após a comemoração do aniversário finalmente ficaram a sós. A gigante tomou Kikinha em seus braços do jeitinho que ela sempre desejou. O primeiro beijo foi suave. Tinha gosto de bolo, beijinhos, brigadeirinhos, refrigerante. Tinha a doçura gigantesca de Kassandra. Os suspiros intensos de Kikinha...


15 comentários:

Laila Braga disse...

as delicadezas que acontecem em pequenos e irreais encontros...

você? disse...

simplesmente encantador essas primeiras experiências.

Catarina.

claudia guay disse...

adorei o clima de suspense (que aliás, vc sempre faz isso mto bem) e no final... l'amour!!!

Brysa L... disse...

"doçura gigantesca"
Amei! Super fofo!

Jôka P. disse...

O visual do seu blog está cada dia mais legal.

Mallika disse...

Patifaria... uma lembrança amorosa... uma gota de Lispector... uma coisa de Neil Gaiman...
Ai, tô viciada!
Kakakakakakkaa.

Cuca disse...

Ai que singela essa história! Fico sempre encantada!Bjs

Luiz Guilherme disse...

as experiências são sempre validas quando vividas....

http://lg7fortalezace.blogspot.com/

vlw

Lelê Maria disse...

Comentando no comentário de alguém aí de cima, mais patifaria seria se elas não fossem irmãs, Nélson Rodrigues puro!

Sabe que eu sempre achei que histórias com nomes no diminutivo nunca terminam bem, dessa vez deu certo.

Acho que só pq elas era sapas.
um beijo!

O Profeta disse...

Ao meu querer!
Dias noites, estações esquecidas
Inventei sonhos para sonhar
Lavei mágoas, dores perdidas

Uma árvore toca as águas da lagoa
O nevoeiro faz desenhos nas cumeeiras
Um Melro negro solta um pio ao acaso
A palavra quero-te diz-se de mil maneiras


Convido-te a ver a Cor da Claridade


Doce beijo

•.¸¸.ஐBruneLLa França disse...

Adorei as tramas! O entrelaçamento das histórias!
Márcia... vc é ótima! Adoro muito!

Beijos e borboleteios

mara* disse...

Que delícia estar aqui! E no horário que mais gosto, de madrugada! Adoro ler você. Beijos querida.

Alice disse...

Sem querer cair no clichê, mas já caindo: uma doçura seu texto!

Quanto ao seu comentário lá no Alice's, eu concordo: não estou pregando o engessamento da língua nem a rigidez da escrita, apenas um conhecimento básico de ortografia e gramática! É nossa obrigação cuidar melhor do nosso idioma.

enola disse...

Guria!!
Tem Meme pra vc lá no meu canto!!
Beijão!!!

A Lobba! disse...

Beijos, açucar e delicadezas, coisa boa sô...
Gata linda, tô voltando...
Lambidas da Lobba!